quinta-feira, 19 de abril de 2018

Opinião sobre "Fangirl" - Rainbow Rowell

Fangirl
(Artigo de Opinião)


Autora: Rainbow Rowell
Título Original: Fangirl (2013)
Tradução: João Seixas
ISBN: 978-989-7-10209-7 
Nº de páginas: 448
Editora: Edições Chá das Cinco

Sinopse

       Cath ama os seus livros e a sua família. Haverá espaço para mais alguém?

     Todo o mundo é fã dos livros de Simon Snow. Mas Cath vai mais longe: ser fã desses livros tornou-se a sua vida. Ela e a sua irmã gémea, Wren, refugiaram-se na obra de Simon Snow quando eram miúdas, e na verdade foi isso que as salvou da ruína emocional que foi a perda da mãe.

       Ler. Reler. Interagir em fóruns, escrever ficção baseada na obra de Simon Snow, vestir-se como as personagens dos livros. Mas essas fantasias deixam de fazer sentido quando se cresce, e enquanto Wren facilmente abandona esse refúgio, Cath não consegue fazê-lo. Na verdade, nem quer.

     Agora que vão para a universidade, Wren não quer ficar no mesmo quarto de Cath. E esta fica sozinha e fora da sua zona de conforto. Partilha o quarto com uma miúda arrogante; tem um professor que despreza os seus gostos; um colega atraente mas que apenas fala sobre a beleza das palavras... e, ainda por cima, Cath não consegue parar de se preocupar com o seu pai, tão querido, frágil e solitário.

    A pergunta paira no ar: será que ela consegue triunfar sem que Wren lhe dê a mão? Estará preparada para viver a vida em seu nome? Escrever as suas próprias histórias? E se isso significar deixar Simon Snow para trás?


Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Edições Cha das Cinco em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Chá das Cinco pelo gentil envio do livro.

      Desde que li "Anexos", a minha estreia com Rainbow Rowell, que andava com imensa vontade de ler mais livros desta autora, e a publicação em Portugal de "Carry On - A História de Simon Snow" - um livro que tem sido muito bem recebido pela crítica - foi a oportunidade perfeita. No entanto, e apesar de "Carry On" ser um livro único, os protagonistas fazem parte de uma história que podemos encontrar em "Fangirl", motivo pelo qual decidi ler este primeiro. E a verdade é que gostei!

      Cath e Wren são gémeas idênticas e, desde pequenas, têm sido sempre o apoio uma da outra. Desde que a mãe as deixou, ainda crianças, que se refugiam no universo de Simon Snow - um personagem de uma história de fantasia -, tendo acabado por passar grande parte da sua adolescência a escrever fancfics sobre ele, habitando esse mundo de fantasia onde tudo faz sentido.

       No entanto, chegou a hora de ir para a universidade e Wren sente que precisa de se distanciar um pouco da irmã para poder criar a sua própria identidade. Porém, Cath está habituada a viver na sombra de Wren e não sabe bem o que fazer agora que não tem a irmã para a guiar. 

       Como se isso não bastasse, tem de aprender ainda a lidar com a sua peculiar - e algo rabugenta - colega de quarto, bem como com o amigo desta - com o qual se cruza involuntariamente de cada vez que este vai ao seu quarto -, com um professor que não compreende os seus gostos e com um colega de escrita criativa, cujas intenções ainda não conseguiu perceber. E tudo isto enquanto se preocupa com o estado de saúde do pai.

       Conseguirá Cath adaptar-se à nova vida na universidade? E se para isso tiver de deixar Simon Snow no passado?

      Gostei de observar a evolução de Cath ao longo do livro, bem como acompanhá-la na descoberta de si própria. No início da história, Cath é uma rapariga introspetiva e algo dependente, muito inocente, acostumada a seguir o exemplo da irmã e refugiando-se constantemente no seu mundo de fantasia, o seu ambiente seguro. Mas a ida para a faculdade e o afastamento da sua outra metade obrigam-na a crescer e a começar a fazer decisões por si própria, bem como a encontrar um grupo de amigos fora dos livros e da internet. Com o decorrer da história, Cath vai aprender que é importante adotar pequenas mudanças que a façam feliz, mas que deve sempre manter-se fiel a si própria.

   Os capítulos que narram a vida de Cath alternam com alguns excertos da história de Simon Snow ou da fanfiction que esta escreve. No início, tive alguma curiosidade na história de Simon Snow - verdade seja dita, muito semelhante à de Harry Potter -, mas confesso que, mais ou menos a meio do livro, comecei a perder algum interesse nestes capítulos, pois queria regressar rapidamente às aventuras e desventuras de Cath. 

      Apesar de "Fangirl" ser essencialmente sobre Cath, acabamos por também seguir alguns episódios da vida de Wren. Wren é substancialmente diferente da irmã, o que, inicialmente, me levou por múltilplas vezes a questionar como é que, durante tantos anos, as duas foram tão unidas e depois sofreram uma rutura tão abrupta na relação ao chegarem à universidade. Ao contrário de Cath, Wren é uma rapariga mais extrovertida, que gosta de ir a festas e que facilmente se destaca, mas que nem sempre faz as escolhas mais corretas. Não gostei do facto de simplesmente ter abandonado a irmã ao chegar à universidade.

    Nick, o colega de "Escrita Criativa" de Cath, foi uma personagem que me irritou. Tendo algum relevo na história, Nick foi-se insinuando na vida da protagonista, mas os seus motivos não eram os mais nobres. Por mais estranho que possa parecer, gostei de "não gostar" de Nick, pois fez-me ver que Rowell também consegue criar personagens egoístas e mesquinhas.

     Já Levi foi uma constante lufada de ar fresco! Melhor amigo (ou namorado?) da colega de quarto de Cath, Levi é uma personagem que eu gostava que fosse real. Sempre bem disposto e um eterno otimista, é um rapaz amoroso que consegue ver Cath como ela é: uma rapariga tímida e com dificuldades em relacionar-se com as pessoas, mas que vale a pena conhecer.

     Um dos grandes pontos positivos deste livro é, sem dúvida, a escrita da autora: adoro os diálogos entre as personagens, ver a forma como estas interagem. Rainbow Rowell sabe como prender os leitores nas pequenas perfeições e imperfeições das personagens que cria, mostrando não o lado bom ou o lado mau, mas sim o lado humano.

     À semelhança de "Anexos", em "Fangirl" encontramos uma história bastante divertida e envolvente, com personagens interessantes e cheias de defeitos e de qualidades, o que as torna simultaneamente únicas e comuns: em suma, reais. Com uma escrita bem disposta e fácil de acompanhar, este é não só um livro que prova que um pouco de mudança pode trazer ao de cima um lado nosso que desconhecíamos e ajudar-nos a ganhar confiança em nós próprios, mas que é também uma homenagem a todos os leitores que sonham vidas para o seus heróis literários. Gostei muito!


 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Ed Sheeran_Who you are

quarta-feira, 18 de abril de 2018

#28 - Curi(livro)sidades

Sabia que...



...Franz Kafka mandou queimar os manuscritos de "O Castelo", "O Processo" e "Amerika", porque não queria que fossem publicados?

terça-feira, 17 de abril de 2018

#1 TAG - Peculiar

Hoje trago uma tag que vi no blogue The Girl Who Reads Books - mas que foi criada pelo Jesse The Read -, e que achei bastante divertida! Está relacionada com a adaptação cinematográfica do livro "O Lar da Senhora Peregrine Para Crianças Peculiares", de Ransom Riggs (cuja opinião podem ler aqui).


1) Casa Abandonada: Um livro que abandonaste, mas que acabaste por dar outra oportunidade e gostaste.


     


"O Contador de Estórias", de DeMoura. Este não foi um livro que abandonei, mas foi um livro que demorei muito a começar, pois estava algo reticente, uma vez que não pertence aos géneros que mais leio. No entanto, foi uma boa leitura! Podem ler a minha opinião aqui.



2) Fotos vintage: Um livro que gostarias que tivesse ilustrações.


       

Esta é uma pergunta difícil, mas vou escolher "A Seleção", de Kiera Cass, porque acho que ia gostar de ver o guarda roupa das personagens e o palácio real. Podem ler a minha opinião aqui.


3) Loop: Uma série que não te incomodarias de ler em loop (ler de novo várias vezes).



"Wayward Pines", de Blake Crouch. Blake Crouch é um dos meus escritores preferidos e adorei esta trilogia, por isso acho que não me ia importar de a ler de novo várias vezes. Podem ler a minha opinião aqui, aqui e aqui.


4) Crianças Peculiares: Uma habilidade de algum personagem que gostarias de ter.


      

Esta é uma excelente pergunta, mas quase impossível de responder - há imensas habilidades que adorava ter! No entanto, seria interessante - e perigoso - ter o poder da rainha Elara, de "Rainha Vermelha": uma whisper com a capacidade de ler e controlar mentes. Podem ler a minha opinião aqui.


5) Srª Peregrine: Um personagem favorito que é um líder.


      

Simon Wolfgard, da série "Os Outros", de Anne Bishop. Quem melhor que o líder do pátio de Lakeside para responder a esta categoria? Podem ler a minha opinião sobre os dois primeiros livros desta série aqui e aqui.


6) Jacob: Uma história na qual um rapaz normal descobre um mundo novo.


   


Neste caso não é um rapaz, mas sim uma rapariga, Joana, que vai viajar para o Reino de Elfanos, no Mundo Antigo. Estou a falar do Livro "Elfanos - O Legado", de Dud@ Reis. Podem ler a minha opinião aqui.


7) Emma: Um personagem forte e destemido.


    

Tenho de escolher a Kick Lannigan, protagonista do livro "Nunca Perdoar, Nunca Esquecer", de Chelsea Cain. Kick foi raptada em criança e passou 6 anos em cativeiro. Apesar dos traumas, que ainda a atormentam, tornou-se uma mulher forte e destemida. Adorava que a continuação da série fosse publicada em Portugal, porque, se for tão boa como este primeiro livro, vale muito a pena! Podem ler a minha opinião aqui


8) Millard: Um livro que parece invisível, mas que merece ser lido por mais pessoas.


    

"A Agência", de Ally O'Brien. É um livro que é pouco falado, mas que eu adorei. Diverti-me imenso a lê-lo. Podem ler a minha opinião aqui.


9) Olive: Um livro que compraste e voou direto para o topo da lista de leitura.


 

Este livro não foi comprado - foi-me enviado pela Marcador -, mas, assim que chegou, parei todas as minhas leituras para lhe dar prioridade. Estou a falar de "Coroa da Meia Noite", de Sarah J. Maas. Já tinha adorado "Trono de Vidro", pelo que estava ansiosa para que este segundo volume fosse publicado em Portugal. (Agora anseio pelo terceiro). Podem ler a minha opinião aqui.


10) Hugh: Um livro que leste e provocou muitas emoções.


   

"As pessoas felizes lêem e bebem café" e "A vida é fácil, não te preocupes", de Agnès Martin-Lugand. Gostei imenso destes dois livros e senti uma conexão tal com as personagens que a leitura me tocou verdadeiramente.



11) Enoch: Um personagem que trarias de volta à vida.


  


"Fala-me de Um Dia Perfeito", de Jennifer Niven. Sem querer fazer spoilers, não mudava rigorosamente nada na história, mas, se pudesse, salvava uma das personages. Podem ler a minha opinião sobre o livro aqui.


12) Bronwyn: Um personagem forte fisicamente.


 

Para esta, vou escolher o Jake Sharp, do livro "O Protector", de Jodi Ellen Malpas. Jake é um ex-sniper do SAS, que agora trabalha como guarda-costas de Camille, uma jovem modelo que tem sido vítima de ameaças anónimas. Podem ler a minha opinião aqui.


13) Hollowgast: Um livro que leste e pareceu uma experiência que não resultou.


         

"Ninfas - Paixão Mortal", de Sari Luhtanen e Miikko Oikkonen. Um livro com uma premissa inicial promissora, mas que não foi bem desenvolvida. Podem ler a minha opinião aqui.


14) Wights: Um livro que parece que utilizou todos os clichés que já viste antes.

        

"Um Ano Inesquecível", de Paula Pimenta, Babi Dewet, Bruna Vieira e Thalita Rebouças. Um livro para jovens, fofo, mas cheio de clichês e de amores à primeira vista. Podem ler a minha opinião aqui.


Considerem-se todos convidados para responder a esta tag!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

#90 - Dá-lhe Letras

Autor: Robert Bryndza
Á __ __     __ __ __ __ __ __ __    

Qual é o livro?

domingo, 15 de abril de 2018

Opinião sobre "Um Mais Um - A Fórmula da Felicidade" - Jojo Moyes

Um Mais Um - A Fórmula da Felicidade
(Artigo de Opinião)


Autora: Jojo Moyes
Título Original: One Plus One (2014)
Tradução: Ana Maria Chaves e Márcia Montenegro
ISBN: 978-972-0-03002-3
Nº de páginas: 424
Editora: Porto Editora


Sinopse

    Uma mãe por conta própria

    Jess Thomas faz o seu melhor, dia após dia. É difícil lutar sozinha.

   E, por vezes, assume riscos que não devia. Apenas porque tem de ser…



    Uma família caótica
    Tanzie, a filha de Jess, é uma criança dotada e brilhante a lidar com números, mas sem apoio nunca terá oportunidade de se revelar.
  Nicky, enteado de Jess, é um adolescente reservado, que não consegue sozinho fazer frente às perseguições de que é alvo na escola.
    Por vezes, Jess sente que os filhos se estão a afundar…

    Um desconhecido atraente
  Ed Nicholls entra nas suas vidas. Ele é um homem com um passado complicado que foge desesperado de um futuro incerto. Ed sabe o que é a solidão. E quer ajudá-los…

    Uma história de amor inesperada
   Um mais um - A fórmula da felicidade é um romance cativante e original sobre duas pessoas que se encontram em circunstâncias difíceis.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Porto Editora pelo gentil envio do livro.

      Já há algum tempo que queria ler alguma coisa de Jojo Moyes - principalmente depois de todo o sucesso de "Viver Depois de Ti" -, e "Um Mais Um - A Fórmula da Felicidade" acabou por ser a minha estreia com a autora. E que bela estreia!

    Ed Nicholls é um homem bem sucedido e com uma carreira aparentemente estável que, de um momento para o outro, vê a sua vida dar uma volta de 180 graus. Sob o escrutínio de uma investigação policial por uso indevido de informação privilegiada, vê-se obrigado a ausentar-se da cidade por uns tempos, e é quando vai para a sua casa de férias que conhece Tess, umas das empregadas encarregues da limpeza.

    Desde que o marido abandonou a família, Jess Thomas faz os possíveis para cuidar da filha, Tanzie, e do enteado, Nicky, e por manter as contas minimamente em ordem. Apesar dos vários empregos que acumula, o dinheiro ao final do mês nunca é tanto como o desejado, e não é de certeza suficiente para inscrever Tanzie numa escola para crianças sobredotadas que lhe permitiria desenvolver a sua paixão pela matemática.

    Mas quando surge a oportunidade de Tanzie participar numas Olimpíadas de Matemática cujo prémio é avultado, Tess vê nela a oportunidade de realizar o sonho da filha. Só há um problema: a competição é na Escócia e ela não tem dinheiro para a deslocação. E é algures aí que Ed Nicholls entra na vida desta família e tenta ajudar... e juntos embarcam numa emocionante viagem, cheia de peripécias, imprevistos e confusões, para no fim aprenderem que, por vezes, o mais importante é o caminho e não o destino.

     Antes de mais, tenho de dizer que adorei este livro! Adorei, adorei, adorei! Adorei a história, adorei as personagens e adorei a forma como a autora pegou num enredo aparentemente simples e vulgar e o transformou em algo tão belo e singular.

      Jess é uma mulher corajosa, determinada e lutadora, que faz tudo ao seu alcance para cuidar da sua prole - Nicky, Tanzie e Norman, o engraçado cão da família. Apesar dos constantes abanões que a vida lhe tem dado, conserva a sua postura otimista de encarar o mundo e não baixa os braços perante os obstáculos.

     Tanzie é uma criança especial. Extremamente inteligente e com um amor profuso pelos números, é também uma menina muito carinhosa e divertida. Gostei da sua genuinidade e da sua inocência, aliadas à bondade e ao otimismo ingénuo próprios da infância. Ri-me bastante com alguns dos momentos que ela e Norman protagonizaram durante a viagem!

    Nicky é um adolescente inadaptado que não se encaixa no que a sociedade espera dele. Tímido, reservado e inseguro, prefere o isolamento do seu quarto ao ter de enfrentar o bullying exercido pelos colegas, que não aceitam a sua forma de ser.  Gostei de acompanhar os progressos de Nicky no que toca ao processo de aceitação da sua própria personalidade.

     Ed é um homem honesto que se envolve inconscientemente numa grande confusão no trabalho e que fica um bocado à deriva no meio da situação. Rapidamente percebemos que é um homem inteligente e com bom coração, mas ligeiramente impulsivo, o que por vezes o deixa em maus lençóis. Adorei ver o carinho e a preocupação crescentes de Ed com os filhos de Jess, bem como a forma como foi aprendendo a lidar com os problemas e a aceitar o futuro.

      Claro que o romance entre Ed e Jess não é propriamente imprevísivel - muito pelo contrário. Ainda assim, desenvolve-se de forma tão natural - e, simultaneamente, tão atribulada - que se encaixa na perfeição.

     "Um Mais Um - A Fórmula da Felicidade" é um livro extremamente doce, divertido e refrescante, e é também uma mensagem de esperança e otimismo. A escrita de Jojo Moyes é muito fluída e a história está recheada de momentos engraçados e de pequenas lições sobre a forma mais feliz de encarar a vida. Adorei e recomendo!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Vance Joy_We're Going Home

sexta-feira, 13 de abril de 2018

#25 - Pistas Literárias

Pistas:

      - A autora nasceu é formada em Letras pela universidade de Oxford. Foi professora, assessora de direção e consultora de moda na Condé Nast.

    -  O livro conta a história de uma gémea que se apodera da vida perfeita da irmã.

     - É um thriller passado em Londres e na Sicília, no espaço de uma violenta semana de verão.

Qual é o livro?

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Opinião sobre "A Rapariga no Gelo" (Detective Erika Foster #1) - Robert Bryndza

A Rapariga no Gelo
(Detective Erika Foster #1)
(Artigo de Opinião)


Autor: Robert Bryndza
Título Original: The Girl On Ice (2016)
Tradução: Ana Lourenço
ISBN: 978-989-997-058-8
Nº de páginas: 336
Editora: Alma dos Livros


Sinopse

    Quando um rapaz descobre o corpo de uma mulher debaixo de uma espessa camada de gelo num parque do sul de Londres, a inspetora-chefe Erika Foster é imediatamente chamada para liderar a investigação. A vítima, uma jovem bela e rica da alta sociedade londrina, parecia ter a vida perfeita. No entanto, quando Erika começa a investigar o seu passado, vislumbra uma relação entre aquele homicídio e a morte de três prostitutas, encontradas estranguladas, com as mãos amarradas, abandonadas nas águas geladas de outros lagos de Londres. 

     A sua última investigação deu para o torto, e agora Erika tem a carreira presa por um fio. Ao mesmo tempo que luta contra os seus demónios pessoais, enfrenta um assassino altamente mortífero e que se aproxima tanto mais dela quanto mais próxima ela está de expor ao mundo toda a verdade. Conseguirá Erika apanhar o assassino antes de ele escolher a próxima vítima? 

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Alma dos Livros em troca de uma opinião sincera


Opinião

      Começo por agradecer à Alma dos Livros pelo gentil envio do livro.

     "A Rapariga no Gelo" é o primeiro volume da série inspetora Erika Foster 
e a fusão entre o título misterioso, o espetacular design da capa, a sinopse promissora e as muitas críticas positivas que tem recebido levou-me a iniciar a leitura com grandes expectativas que, infelizmente, não vi totalmente correspondidas. Ainda assim, gostei bastante da história!

     Vive Londres a estação mais fria do ano quando é encontrado, sob uma espessa camada de gelo, o corpo de uma jovem mulher, Andrea, filha de uma importante família aristocrata do sul da cidade. Erika Foster, inspetora-chefe, é chamada para liderar a equipa de investigação do homicídio, e acaba por encontrar semelhanças com as circunstâncias da morte de três prostitutas, o que levanta a suspeita da existência de um possível assassino em série por detrás destes crimes.

     No entanto, a investigação vai sofrendo entraves à medida que segredos e mentiras ameaçam vir ao de cima, instalando-se um jogo de poder e pressões políticas, mesmo dentro da própria força policial. Erika tem como desafio contornar os obstáculos que vão aparecendo, tentando ao mesmo tempo conquistar a confiança e o respeito da sua equipa, descobrir o assassino e aprender a lidar com os seus próprios fantasmas. Conseguirá a inspetora apanhar o culpado antes que seja demasiado tarde para evitar uma nova vítima - ou para impedir que se torne, ela própria, a próxima rapariga no gelo?

    Erika é uma personagem que vai conquistando aos poucos. Se inicialmente pode parecer um pouco fria, rapidamente percebemos que essa é a sua forma de se proteger da dor e da culpa que sente pela morte do marido. Além disso, a sua carreira está também em risco, e a inspetora tem de lutar por se afirmar dentro do seio da sua equipa e da investigação que está a conduzir, mostrando-se uma mulher determinada e persistente no cumprimento do dever. 

    Apesar de a leitura ter sido um pouco lenta ao início, vai ganhando ritmo com o avançar da história, e Bryndza conseguiu manter a tensão e o suspense na dose necessária para cativar o leitor. Além disso, os capítulos curtos também contribuíram para a rapidez da leitura.

   Gosto sempre quando os autores introduzem capítulos narrados do ponto de vista do assassino - e esta vez não foi exceção -, porque permitem ao leitor ver a história através de uma outra perspetiva, ainda que por vezes meio distorcida. Ter acesso à mente do assassino, observar a forma como encara as situações, é algo que enriquece a experiência da leitura, e que a mim me agrada bastante.

     A verdade é que este não é um livro que se destaque particularmente dentro do género. O enredo está bem construído, a história é interessante e tem uma narrativa ágil, mas não há elementos que marquem significativamente pelo seu carácter macabro ou rocambolesco. Notei a falta de detalhes que afastassem este livro de outros policiais e senti que toda a história acabou por assentar demasiado em estereótipos. Os dramas familiares e as fragilidades da protagonista também não são propriamente uma inovação, mas apesar disso acabam por resultar, pois aproximam o leitor da personagem, ao revelar-lhe um lado mais humano e vulnerável. 

   No entanto, apesar das falhas apontadas, admito que li este livro muito rapidamente, pois o equilíbrio entre a escrita fluida do autor e a ânsia de mergulhar na teia de segredos e mentiras para descobrir o assassino manteve-me agarrada às páginas até o terminar. Foi, por isso, uma boa leitura, e tenciono continuar a acompanhar a série da inspetora Erika Foster. 

    Recomendo "A Rapariga no Gelo" principalmente a quem não costuma ler muitos policiais e que prefere uma história pouco gráfica em termos de violência.

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: James Bay_Us

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Voltei!!!

Olá, queridos leitores!

Espero que todos se encontrem bem e que os últimos meses tenham sido recheados de bons livros e boas leituras.

Antes de mais, sinto que vos devo um pedido de desculpa e um esclarecimento sobre o tempo em que o blogue esteve parado.

Poderia dizer que tudo começou quando entrei, em setembro de 2017, para a universidade, mas não seria completamente verdadeira. Claro que, nos primeiros tempos, foi-me completamente impossível ter disponibilidade para algo que não fosse a vida académica. A adaptação é algo que demora, e precisei de fazer uma pausa nos livros e no Dream Pages para que outras coisas não ficassem para trás. No entanto, já há algum tempo que o blogue se tornara quase uma obrigação, o que me tirava grande parte do prazer de partilhar as minhas leituras com outras pessoas.

Por diversas vezes, ao longo dos últimos meses, pensei em retomar o blogue, o meu adorado cantinho dos livros. Inicialmente, o plano era fazer apenas uma ligeira pausa, para deixar a rotina instalar-se. Mas o tempo foi-se estendendo, e a verdade é que não queria voltar ao Dream Pages antes de ter a certeza de que conseguia "alimentá-lo" com publicações regulares. Não queria um "ir e vir" inconstante, porque, isso sim, seria deixá-lo morrer.


Nestes meses em que estive afastada, pensei bastante sobre o que queria fazer com este espaço de que tanto gosto. Tive muitas saudades de partilhar as minhas leituras e as minhas opiniões - e de conhecer as vossas - e isso motivou-me, fez-me querer pensar em novas formas de lhe dar vida.

E porque quero que este seja, acima de tudo, um espaço de partilha, peço-vos que me contem o que gostariam de ver melhorado no blogue, sugestões de publicações que gostavam que fizesse ou simplesmente digam olá e falem-me dos livros que têm lido - se quiserem deixar o vosso nome e o vosso e-mail, prometo responder a todas as mensagens. Quero críticas construtivas, que me ajudem a fazer mais e melhor e quero que o Dream Pages seja, cada vez mais, um espaço interativo.


Apesar de tudo, o balanço que faço desta pausa é positivo, pois fez-me novamente ver o quão fantástica é a oportunidade de ter um cantinho como este, com leitores como vocês. Podem esperar muitas opiniões e muitas novidades!

Hoje começa uma nova fase do Dream Pages e conto com vocês, queridos leitores, para me ajudarem a celebrá-la. Obrigada por continuarem desse lado.

Um grande beijinho/abraço para todos vós,
Beatriz - Dream Pages



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Opinião sobre "A Amiga" - Dorothy Koomson

A Amiga
(Artigo de Opinião)


Autora: Dorothy Koomson
Título Original: The Friend (2017)
Tradução: Irene Ramalho
ISBN: 978-972-0-04025-1
Nº de páginas: 496
Editora: Porto Editora


Sinopse

    Quando o marido é promovido, Cece Solarin muda-se para Brighton com os três filhos, animada com a possibilidade de um recomeço. No entanto, o ambiente do bairro que a acolhe parece-lhe ansioso e os vizinhos sobressaltados. 

    Cece descobre que, três semanas antes, Yvonne, uma das mães mais populares da zona, foi deixada às portas da morte, no pátio da escola dos filhos - a mesma onde se vê obrigada a inscrever os seus. 

   No primeiro dia de aulas, Cece conhece três mães muito diferentes que parecem querer ajudá-la neste novo começo. Mas Maxie, Anaya e Hazel são também amigas de Yvonne, e a polícia desconfia que uma delas poderá estar envolvida no crime. 

    Preocupada com a segurança dos filhos, Cece está decidida a descobrir a verdade…


Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera

Opinião

      Começo por agradecer à Porto Editora pelo gentil envio do livro.

      Este ano está a ser espetacular no que toca a conhecer novos autores, e Dorothy Koomson só veio confirmar isso mesmo. Apesar de "A Filha da Minha Melhor Amiga" ser, provavelmente, o seu livro mais conhecido, foi com "A Amiga" que me estreei nesta autora, e tenho a dizer que esta foi uma leitura maravilhosa!

    Devido à promoção do marido, e numa tentativa de salvar o seu casamento, Cece Solarin deixa o seu emprego e a sua vida em Londres para se mudar para a pequena cidade de Brighton, onde a espera a ocupação como dona de casa. Algo assustada perante a perspetiva de se encontrar numa localidade em que não conhece ninguém, Cece tem ainda outro problema com que se preocupar: há apenas uns meses atrás, foi encontrada uma mulher - Yvonne, a responsável pela Associação de Pais da Preparatória de Plummer - brutalmente agredida na escola para onde agora iria mandar os seus dois gémeos.

     E é exatamente quando vai levar os seus filhos mais novos, Oscar e Ore, às aulas, que Cece conhece três mães que acabariam por se tornar suas amigas - Maxie, Anaya e Hazel. As mesmas três mulheres que, em tempos, tinham sido as melhores amigas de Yvonne, e que podem, de alguma forma, estar relacionadas com o ataque desta. 

     Cece ver-se-á não só no meio de todo este mistério, como terá ainda a missão de descobrir qual destas mulheres poderá ser a responsável pela agressão a Yvonne. Poderá Cece confiar nestas mulheres que lhe estenderam a mão numa altura em que se sentia tão sozinha? Por que razão é que as versões dos acontecimentos delas não batem certo? Até onde será preciso ir para se guardar um segredo?

      Adorei a forma como a autora optou por narrar a história, não só por termos a narração alternada entre as diversas personagens - Cece, Anaya, Hazel e Maxie -, como por também conter vários flashbacks que nos mostram alguns episódios importantes do passado das mesmas que nos permitem compreender melhor algumas atitudes e situações. Além disso, a escrita da autora é extremamente agradável e o ritmo vai acelerando à medida que vamos penetrando nas teias de mentiras e segredos das personagens.

   Achei interessante a variedade de etnias e culturas representadas, bem como a diversidade dos problemas das personagens. Penso que a autora se terá preocupado em conferir uma dimensão real às personagens, não só nas pequenas questões do quotidiano, como também nos segredos que carregam. Talvez por todas as personagens serem tão diferentes, mas tão especiais à sua maneira e tão bem caracterizadas, não é fácil escolher uma que me tivesse agradado mais. No entanto, não posso deixar de demonstrar a minha simpatia por Cece, por ser uma mulher destemida, com uma personalidade forte e fiel aos seus princípios, e por Anaya, cujos capítulos me despertavam sempre o interesse.

    O enredo de "A Amiga" está muito bem construído, pois ficamos sempre em suspenso, tentando adivinhar o que escondem as diversas personagens. De facto, neste livro temos intrigas múltiplas, havendo a questão central - quem agrediu Yvonne -, e várias linhas paralelas - os segredos de cada personagem. Como se todo este mistério não fosse suficiente para cativar o leitor, este é ainda um livro bastante completo em termos de géneros literários: tem romance, muito suspense e até uns laivos de policial e thriller.

    "A Amiga" foi uma fantástica estreia com Dorothy Koomson: um livro que me cativou desde o início e que manteve a qualidade ao longo de toda a leitura até ao surpreendente final. Um livro muito bem escrito, com personagens muito realistas que, conjugadas com a alternância de perspetivas, conferem ao livro um carácter mais diversificado e dimensional. Uma excelente leitura que recomendo!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Taylor Swift_Look What You Made Me Do

Citação do Dia - 08 de setembro de 2017

"Amar é metade de crer."
Victor Hugo

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Citação do Dia - 07 de setembro de 2017

"O amor deveria perdoar todos os pecados, menos um pecado contra o amor. O amor verdadeiro deveria ter perdão para todas as vidas, menos para as vidas sem amor."
Oscar Wilde