terça-feira, 18 de julho de 2017

Opinião sobre "O Casal do Lado" - Shari Lapena

O Casal do Lado
(Artigo de Opinião)


Autora: Shari Lapena
Título Original: The Couple Next Door (2016)
Tradução: Maria João Lourenço
ISBN: 978-972-23-6048-7
Nº de páginas: 296
Editora: Editorial Presença


Sinopse


    Cynthia disse a Anne que não levasse a filha Cora, a bebé de seis meses, para sua casa na noite do jantar para que ela e o marido Marco tinham sido convidados. Não era nada de pessoal. Ela simplesmente não suportava o choro de crianças. Marco não se opõe. Afinal, eles vivem no apartamento do lado. Têm consigo o intercomunicador e irão alternadamente, de meia em meia hora, ver como está a filha. Cora dormia da última vez que Anne a tinha ido ver. Mas, ao subir as escadas da casa em silêncio, ela depara-se com a imagem que sempre a aterrorizou. A menina desapareceu. Anne nunca tivera de chamar a polícia, antes disso. Mas agora eles estão lá, e quem sabe o que irão descobrir...

    Do que seremos capazes, quando levados além dos nossos limites? 
O Casal do Lado é um thriller que nos leva de reviravolta em reviravolta até à última página.

Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Editorial Presença em troca de uma opinião sincera

Opinião

       Começo por agradecer à Editorial Presença pelo gentil envio do livro.

       "O Casal do Lado", livro de estreia de Shari Lapena, tem recebido muitas e boas críticas, não só no estrangeiro como também a nível nacional, motivo pelo qual me chamou desde logo a atenção. Além disto, a temática abordada pelo livro - o rapto de crianças - é um tema bastante delicado, e senti curiosidade em ver o modo como a autora decidira abordar o tema neste thriller.

      Marco e Anne Conti são um jovem casal que, pela primeira vez, deixam Cora, a filha de apenas seis meses, em casa, sozinha, enquanto vão jantar a casa dos vizinhos. A babysitter desmarcou à última da hora e eles acabaram por decidir que era de mau tom declinarem o convite tão em cima do acontecimento. Assim, apesar da hesitação de Anna, acabam por ir se dirigir à casa do lado, de Cynthia e Graham, combinando ir alternadamente verificar se estava tudo bem com a bebé em intervalos regulares.

       Apesar de alguns percalços durante o jantar, tudo parece correr bem até que, quando regressam a casa, Marco e Anne percebem que a filha já não está no berço, onde a deixaram. Em pânico, ligam para a polícia, e assim começa a investigação do desaparecimento da pequena Cora, em que, como em muitas outras, os pais parecem ser os principais suspeitos. Terão Anne e Marco Conti alguma coisa a ver com o rapto da filha? Conseguirá a polícia encontrar alguma coisa nas parcas pistas e recuperar a bebé ainda com vida? Ou será já demasiado tarde?

    A premissa deste livro é cativante e, ao mesmo tempo, provoca algum receio por abordar a temática do rapto de crianças. Sendo este um tema tão sensível, receei encontrar descrições demasiado cruas ou violentas, mas o que acaba por chocar neste livro é, de facto, imaginar o desespero dos pais.

     Anne foi a personagem de que mais gostei, porque rapidamente se percebe que é uma mulher com várias camadas. Assomada por uma depressão pós-parto, abdicou do trabalho para cuidar da filha, mas ainda assim sente que faz um péssimo trabalho como mãe. As inseguranças e os problemas do passado, aliados à má relação entre os seus pais e o marido e à culpa por ter deixado a filha sozinha, exercem sobre ela uma enorme pressão, e achei interessante ver o efeito que isso começou a surtir na sua perceção dos factos.

    Marco foi uma personagem que inicialmente me suscitou pena, mas que acabou por me irritar por se afogar constantemente em autocomiseração, e por não ser capaz de assumir as suas falhas. A minha opinião sobre ele variou bastante, à medida que íamos sabendo mais sobre a sua vida, mas chocaram-me algumas das suas atitudes. No entanto, admiro o trabalho que a autora teve em criar a densidade psicológica não só desta personagem, como também das restantes.


    Estava à espera que a autora explorasse também a história do detetive Rasbach, pois acho que é uma personagem que, se devidamente aprofundada, contribuiria bastante para a diversidade da história. Passei grande parte do livro curiosa, a ver se chegava o momento em que Shari iria partilhar com o leitor um pouco mais sobre a vida do detetive, até que percebi que a autora preferiu não desviar o foco do tema principal, que era o rapto da criança. Ainda assim, como referi, acho que a história teria saído a ganhar se o tivesse feito.

   De facto, o núcleo de personagens é bastante pequeno, mas todas elas estão muito bem construídas. Consoante vamos mergulhando na trama e temos oportunidade de as ir conhecendo melhor, vamos descobrindo os seus segredos mais negros e percebendo que nem tudo é tão simples como possa parecer, e eu gostei bastante de ir construindo e modificando o meu ponto de vista de cada uma delas.

     Só houve um aspeto do livro que me desagradou ligeiramente: penso que a autora revela as coisas demasiado rápido, em vez de manter o suspense até ao momento certo. Se, no início, dei por mim surpreendida e ansiosa com a direção que os acontecimentos estavam a tomar, mais para o final do livro o elemento surpresa começou a perder o efeito. Penso que a autora queria dar uma oportunidade ao leitor de tirar as suas próprias ilações, mas gostava que tivesse conseguido gerir melhor o fator suspense.

    Apesar disso, os acontecimentos finais surpreenderam-me imenso, principalmente os das últimas páginas, que me deixaram sem palavras. Ainda precisei de um bocadinho para digerir e para ter a certeza se tinha lido bem. Foi, sem dúvida, um reviravolta com que não contava e que adorei.

     A escrita de Shari é fácil de acompanhar, mas houve momentos em que senti que era um pouco pesada, sendo que a curiosidade era a única coisa a impelir a leitura. Penso que algumas expressões que se repetem demasiadas vezes poderá contribuir para esta situação, pois acabaram por quebrar um pouco o ritmo. Ainda assim, não foi motivo suficiente para pousar o livro, pois estava realmente embrenhada na teia de mentiras.

  Esta é uma leitura que nos leva a tecer alguns juízos de valor relativamente às atitudes e à moralidade de Anne e Marco, por deixarem sozinha uma criança tão pequena. Além disso, faz-nos pensar como, por vezes, o desespero pode levar a atos mal pensados, de que não seríamos capazes se não estivéssemos em determinada situação, e como é fácil sermos manipulados sem darmos conta, até ser demasiado tarde para evitar os danos.

    "O Casal do Lado" é um livro com um título que se revela bastante ambíguo, com uma trama angustiante cheia de reviravoltas e personagens bastante complexas. Explora o desespero humano e faz-nos refletir sobre até que ponto somos vulneráveis quando estamos numa situação complicada, e questionarmo-nos sobre aquilo de que somos capazes quando somos levadas além dos nossos limites. É um livro de que gostei muito e que aconselho!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Do You No Wrong_Richie Campbell
(https://www.youtube.com/watch?v=avVV-icjLi0)

Para mais informações sobre o livro O Casal do Lado, clique aqui.

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui

Citação do Dia - 18 de julho de 2017

"Exige-se, para o perfeito amor, que o amado ame o amante; que este ame, em si próprio, o amante que ama o amado e que o amado ama, o mesmo tendo de haver no correspondente. Que os amantes amem nos amados os amantes que a eles os amam. Ou, mais simples: que o amor se ame."
Agostinho Silva

domingo, 16 de julho de 2017

#59 - Resultado do Passatempo Especial 2º Aniversário do Blogue: "Amor às Claras" - 4Estações/O Castor de Papel

E chegou a vez de anunciar o resultado do último passatempo de aniversário, realizado novamente em parceria com a 4Estações/O Castor de Papel - o sorteio de um exemplar de "Armandinho Dois", de Alexandre Beck.



Este sorteio contou com 137 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...

  

...47! Que corresponde à participação de Arnaldo (...) Santos, de Santo Tirso.

Parabéns ao vencedor! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

Citação do Dia - 16 de julho de 2017

"Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção."
Antoine de Saint-Exupéry

sábado, 15 de julho de 2017

Citação do Dia - 15 de julho de 2017

"Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca."
Clarice Lispector

sexta-feira, 14 de julho de 2017

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Citação do Dia - 13 de julho de 2017

"Tu eras também uma pequena folha que tremia no meu peito. O vento da vida pôs-te ali. A princípio não te vi: não soube que ias comigo, até que as tuas raízes atravessaram o meu peito, se uniram aos fios do meu sangue, falaram pela minha boca, floresceram comigo."
Pablo Neruda

quarta-feira, 12 de julho de 2017

#67 - Resultado do Passatempo Especial 2º Aniversário do Blogue: "Em Fuga" - Marcador Editora

É com grande alegria que anuncio o vencedor do segundo passatempo realizado em parceria com a Marcador - o sorteio de um exemplar do livro "Em Fuga", de Peter May.



Este sorteio contou com 303 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...

  

...71! Que corresponde à participação de Catarina (...) Matias, de Odivelas.

Parabéns à vencedora! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

#66 - Resultado do Passatempo Especial 2º Aniversário do Blogue: "O Contágio" - Saída de Emergência

E chegou a vez do resultado do passatempo realizado em parceria com a Saída de Emergência. É com grande satisfação que venho anunciar o vencedor do sorteio de um exemplar de "O Contágio", de Megan Abbott.




Este sorteio contou com 251 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...

  

...200! Que corresponde à participação de Elsa (...) Martins, de Sobreda.

Parabéns à vencedora! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

#65 - Resultado do Passatempo Especial 2º Aniversário do Blogue: "Armandinho Um" - 4Estações/O Castor de Papel

É com grande satisfação que anuncio o resultado de mais um passatempo realizado em parceria com a 4Estações/O Castor de Papel - desta vez, o sorteio de um exemplar de "Armandinho Um", de Alexandre Beck.



Este sorteio contou com 124 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...

  

...36! Que corresponde à participação de Eduardo (...) Leal, de Maia.

Parabéns ao vencedor! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

#64 - Resultado do Passatempo Especial 2º Aniversário do Blogue: "Jogador Irresistível" - Marcador Editora

Segue-se o resultado do primeiro passatempo realizado em parceria com a Marcador - o sorteio de um exemplar de "Jogador Irresistível", de Christina Lauren.



Este sorteio contou com 202 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...

  

...129! Que corresponde à participação de Diana (...) Santos, de Leiria.

Parabéns à vencedora! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

#63 - Resultado do Passatempo Especial 2º Aniversário do Blogue: "A Princesa Adormecida" - Editorial Presença

Chegou a hora do resultado do passatempo realizado em parceria com a Editorial Presença - o sorteio de um exemplar de "A Princesa Adormecida", de Paula Pimenta.



Este sorteio contou com 193 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...

  

...193! Que corresponde à participação de Inácia (...) Jorge, de Portimão.

Parabéns à vencedora! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

Para mais informações sobre o livro A Princesa Adormecida, clique aqui.


Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui

#62 - Resultado do Passatempo Especial 2º Aniversário do Blogue: "Armandinho Zero" - 4Estações/O Castor de Papel

É com grande satisfação que venho anunciar o resultado de mais um passatempo, desta vez novamente em parceria com a 4Estações/O Castor de Papel - o sorteio de um exemplar do livro "Armandinho Zero", de Alexandre Beck.



Este sorteio contou com 137 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...

  

...116! Que corresponde à participação de Maria (...) Ferreira, de Lisboa.

Parabéns à vencedora! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

#61 - Resultado do Passatempo Especial 2º Aniversário do Blogue: "Sementes de Humanidade" - Chiado Editora

Segue-se o resultado do passatempo realizado em parceria com a Chiado Editora - o sorteio de um exemplar de "Sementes de Humanidade", de José Carlos Pereira.




Este sorteio contou com 149 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...
  

...5! Que corresponde à participação de André (...) Silva, de Paredes.

Parabéns ao vencedor! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

#60 - Resultado do Passatempo Especial 2º Aniversário do Blogue: "Insónia" - 4Estações/O Castor de Papel

Com algum atraso, venho, com grande satisfação, anunciar os vencedores dos passatempos de aniversário do blogue. Para começar, em parceria com a Castor de Papel/4Estações, decorreu o sorteio de um exemplar do livro "Insónia", de J. R. Johansson.


Este sorteio contou com 268 números a sorteio e o vencedor foi escolhido através do site random.org. E o número vencedor é o...

  

...57! Que corresponde à participação de Tiago (...) Marques, de Lisboa.

Parabéns ao vencedor! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados do envio do prémio.

Citação do Dia - 12 de julho de 2017

"O amor revela as qualidades sublimes e ocultas do que ama, - o que nela há de raro, de excepcional: nesse aspecto facilmente engana quanto ao que nele há de habitual."
Friedrich Nietzsche

terça-feira, 11 de julho de 2017

Opinião sobre "A Química dos Nossos Corações" - Krystal Sutherland

A Química dos Nossos Corações
(Artigo de Opinião)


Autora: Krystal Sutherland
Título Original: Our Chemical Hearts (2016)
Tradução: Paulo M. Morais
ISBN: 978-972-0-04860-8
Nº de páginas: 280
Editora: Porto Editora


Sinopse

      Henry Page não esperava apaixonar-se. Considera-se um romântico, mas nunca viveu aquele momento em que o tempo para, a barriga se enche de borboletas e a música começa a tocar, sabe-se lá onde. Pelo menos, até ao momento.

     Então, conhece Grace Town, a esquiva nova colega de escola, que se veste com roupa de rapaz demasiado grande, apoia-se numa bengala, parece tomar banho poucas vezes e esconde segredos desconcertantes. Não é bem a rapariga de sonho que Henry esperava, mas quando os dois são escolhidos para coordenar o jornal da escola, a química acontece. Depois de tantos anos a salvo do amor, Henry está prestes a descobrir como a vida pode seguir um caminho tortuoso e como, por vezes, os desvios são a parte mais interessante desse mesmo caminho.

     Uma estreia brilhante que equilibra humor e corações partidos, lembrando-nos de como o primeiro amor pode ser agridoce.


Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Porto Editora em troca de uma opinião sincera


Opinião

        Começo por agradecer à Porto Editora pelo gentil envio do livro.


     Sendo o género YA (Young-Adult) um dos meus preferidos, foi com grande curiosidade que iniciei a leitura de "A Química dos Nossos Corações" e conheci o Henry e a Grace. Este é um livro com uma história bela e com uma capa linda, e que deixa a mensagem de que, embora o primeiro amor nem sempre corra como desejamos, há sempre a esperança de um futuro melhor.

      Henry Page tem dezassete anos, está no último ano do secundário e almeja alcançar o cargo de editor-chefe do jornal da escola. Quando vê finalmente o seu desejo prestes a ser realizado, é-lhe comunicado que terá de partilhar a responsabilidade com Grace Town, a nova e misteriosa colega de escola que usa roupas de rapaz demasiado grandes, coxeia apoiada numa bengala e tem segredos que a assombram e que não está disposta a partilhar.

     Desde logo, Henry sente-se curioso face a esta rapariga estranha e inteligente, que oculta a beleza debaixo de um ar desleixado. Lentamente, vai conquistando um pouco da confiança de Grace... mas vai-se também apaixonando por ela. Porém, será um novo amor capaz de consertar um coração partido? Conseguirá Henry um amor saudável com Grace? Ou será que, por vezes, o melhor a fazer é deixar livres as pessoas que amamos?

    Gostei principalmente que este fosse um daqueles livros capazes de despertar emoções no leitor. A escrita de Krystal Sutherland é envolvente, e a forma como os acontecimentos se desenrolam, gradualmente, à medida que o leitor vai conhecendo as personagens, tornam esta história especial. Alguns dos temas tratados são sérios, mas a autora aborda-os de uma forma suave e apelativa, tornando-os mais leves sem lhes retirar importância.

     Outro ponto positivo, e que marca pela diferença, é o facto de este livro ser narrado da perspetiva de protagonista masculino. O Henry foi uma personagem que me cativou completamente. É um rapaz amoroso e inteligente, e achei bastante interessante acompanhar o desenvolvimento da sua primeira grande paixão, e as mudanças na sua personalidade e na sua maneira de ver as coisas. Sendo Henry um rapaz introspetivo, uma das coisas de que mais gostei neste livro foram, sem dúvida, as suas reflexões - nomeadamente as que versavam sobre o universo.

    Já Grace é uma personagem que provoca sentimentos contraditórios. Num primeiro contacto, senti sobretudo curiosidade relativamente às suas roupas, às suas atitudes e a toda a aura misteriosa que a circunda. À medida que a fui conhecendo melhor, ao perceber o que motivava os seus comportamentos, comecei a nutrir uma certa empatia e compaixão para com ela. No entanto, chegou um certo ponto em que a personagem me começou a desiludir devido aos seus atos algo egoístas que, embora nascessem da dor, não tinham qualquer preocupação com os danos emocionais causados.

     Para além dos dramas amorosos do protagonista, temos também várias cenas com os amigos e com a família deste. Confesso que adorei as intervenções de todas estas personagens, principalmente as dos pais de Henry, que me fizeram rir várias vezes. É engraçado ver também o papel dos amigos - e, em especial de Lola - no evoluir desta trama, e constatar a importância da amizade nos momentos mais complicados.

     Claro que este livro também tem a sua quota parte de previsibilidade, como quase todos os do género. No entanto, ainda assim senti que era uma história fresca, tocante e maravilhosa, com personagens interessantes. O final surpreendeu-me e chocou-me um pouco, embora já suspeitasse de algo assim. De facto, ao longo do livro assistimos aos desabrochar do protagonista, e no desenlace encontramos um Henry bastante mais maduro do que quando o conhecemos, e talvez por isso me tenha agradado tanto o desfecho pelo qual a autora optou.

    "A Química dos Nossos Corações" é um livro com um protagonista fofo e interessante, personagens bem construídas e com personalidades próprias, e uma história comovente e divertida sobre o impacto de um primeiro amor agridoce na vida de um adolescente. Mas é também um relato de perda, de luto, de trauma, de inseguranças, de superação e, por fim, de esperança. Adorei este livro!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Ed Sheeran_Hearts Don't Break Round Here

Citação do Dia - 11 de julho de 2017

"Amar é sofrer. Para evitares sofrer, não deves amar. Mas, dessa forma vais sofrer por não amar. Então, amar é sofrer, não amar é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar, ser feliz, então, é sofrer, mas sofrer torna-nos infelizes, então, para ser infeliz temos que amar, ou amar para sofrer, ou sofrer de demasiada felicidade - espero que estejas a perceber."
Woody Allen

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Opinião sobre "O que viram as flores" - Julia Heaberlin

O que viram as flores
(Artigo de Opinião)


Autora: Julia Heaberlin
Título Original: Black-Eyed Susans (2008)
Tradução: Ana Cunha Ribeiro
ISBN: 978-972-25-3348-5
Nº de páginas: 376
Editora: Bertrand Editora


Sinopse


    Sou estrela de cabeçalhos de jornal e de histórias assustadoras à roda da fogueira.

     Sou uma das quatro raparigas das susanas-de-olhos negros. A que teve sorte.

    Aos 16 anos, Tessa foi encontrada num campo do Texas, quase morta e só com alguns fragmentos de memória em relação à sua chegada ali. A imprensa chama-lhe a única Susana-de-Olhos-Negros que sobreviveu a um serial killer.

     O testemunho de Tessa mandou um homem para o corredor da morte.

     Passados 20 anos, Tessa é artista e mãe solteira. Num dia de fevereiro, abre a janela do seu quarto e depara com um magnífico canteiro de susanas-de-olhos-negros diante de si, embora se trate de flores de verão.

    Será que o homem que espera a morte é inocente? E andará o serial killer atrás dela? Ou, pior ainda, da sua filha?


Este exemplar foi-me gentilmente cedido pela Bertrand Editora em troca de uma opinião sincera


Opinião

       Começo por agradecer à Bertrand Editora pelo gentil envio do livro.

      "O que viram as flores" despertou-me a atenção pela sinopse. A promessa de um serial killer que poderia ainda andar à solta enquanto um homem possivelmente inocente aguardava a execução da sentença no corredor da morte fez-me iniciar a leitura com bastantes expectativas. Assim, apesar de ter gostado muito da leitura, tenho de dizer que esperava um pouco mais.

    Com apenas dezasseis anos, Tessie é abandonada numa vala de um terreno abandonado povoado por Susanas de Olhos-Negros - flores que nascem e sobrevivem em condições de solo agreste -, juntamente com uma jovem morta e ossos de outras raparigas. O misterioso caso das Susanas de Olhos-Negros rapidamente se tornou bastante mediático, e o testemunho da confusa Tessie, a única sobrevivente do serial killer, mandou um homem para o corredor da morte.

    Dezoito anos depois, Tessa Cartewright, já uma mulher adulta, vive com a sua filha de catorze anos, Charlie, e dá asas à sua veia artística através de trabalhos de costura ou de instalações. Parece ter conseguido um certo nível de estabilidade na sua vida, mas Tessa ainda vive algo atormentada com o passado, principalmente com as dúvidas que se têm levantado cada vez mais sobre a possível inocência do homem que se encontra prestes a ser executado. Abordada por uma equipa de advogados - da qual faz parte Bill -, Tessa começa a questionar seriamente o depoimento que fez anos atrás, e está disposta, finalmente, a mergulhar num tempo negro que preferia esquecer.

    Além disso, interiormente, e por mais que o tente negar, Tessa sabe que as Susanas de Olhos-Negros que vem a encontrar desde a adolescência não podem ser uma mera coincidência... Estará um homem inocente preso há dezassete anos e prestes a ser morto por causa de um crime que não cometeu? Estará o verdadeiro assassino ainda à solta? E quem andará a plantar as misteriosas flores?

     "O que viram as flores" foi um livro que me surpreendeu e que me manteve agarrada do início ao fim, apesar de ter esperado um clímax mais marcante. A conexão com a protagonista é fácil, apesar de só aos poucos descobrirmos o seu passado, e isso contribui fortemente para um ritmo que vai acelerando gradualmente; a sensação de perigo e a corrida contra o tempo também impelem o leitor a acompanhar Tessa e Bill na sua demanda.

    Apesar disto, gostava que tivéssemos mais dados sobre a forma como o assassino escolhia as suas vítimas, bem como uma melhor explicação sobre o que acontecia com elas antes de serem mortas e abandonadas. Uma vez que se trata de um serial killer, gostava que a autora se tivesse preocupado mais em abordar o método e a causa, pois, mesmo que no final tenhamos uma breve explicação dos motivos que desencadearam a psicopatia do assassino, considerei-os pouco marcantes e desejava que tivessem mais aprofundados.


   O tema da condenação à morte está muito presente neste livro e gostei bastante que Julia Heaberlin se tivesse debruçado sobre o aspeto da inocência e do arrependimento das pessoas que se encontram no corredor da morte. Sendo o palco da ação o Texas, um estado pouco brando no que diz respeito à pena de morte, é interessante o relato que a autora faz, através da protagonista - e sem se comprometer em demasia -, do caminho que conduz os prisioneiros ao corredor da morte e da própria execução da sentença.

    Pobre em descrições de violência crua, mas rico em detalhes científicos, nota-se a pesquisa por detrás de "O que viram as flores". Desde os processos de identificação das vítimas recorrendo ao ADN mitocondrial até à localização geográfica através dos isótopos presentes nos ossos, este livro apresenta uma componente científica consistente e muito interessante. De facto, foram as técnicas forenses descritas, para além dos problemas éticos, que mais me cativaram. 


    O livro está dividido em três partes, e o relato da protagonista vai alternando com o de outras personagens. Foi interessante ver os danos físicos, mas sobretudo psicológicos, causados na jovem Tessie pelo trauma que viveu, e a forma como estes continuam presentes na sua vida adulta. Gostei bastante da protagonista em ambas as fases apresentadas, mas, como já referi, gostava que autora tivesse detalhado o seu cativeiro.

    Quero ainda destacar Lydia, a melhor amiga de infância de Tessa, que foi uma personagem que fomos conhecendo aos poucos, e que se revelou muito interessante. Foi das personagens que mais me cativou durante a leitura, principalmente pela forma como fui mudando a minha opinião sobre ela à medida que a ia conhecendo melhor.

    É verdade que o final me surpreendeu, apesar de já desconfiar do culpado, mas mesmo assim senti que faltava algo. A autora consegue manter o suspense, é certo, mas o elemento perigo perde-se um pouco, não chegando a criar-se o apogeu que esperava e que a história merecia.

    "O que viram as flores" cativou-me durante a leitura. Recorrendo a uma grande dose de suspense, a autora consegue prender o leitor, enquanto o guia numa corrida contra o tempo para ilibar um homem que poderá ter sido condenado injustamente, e com a presença constante de um assassino que ainda poderá, ou não, andar à solta. Com uma componente científica fascinante e importantes questões éticas, ainda que, por vezes, disfarçadas, este foi um livro de que gostei bastante!

 Música que aconselho para acompanhar a leitura: Do You No Wrong_Richie Campbell

Citação do Dia - 10 de julho de 2017

"Que é amar senão inventar-se a gente noutros gostos e vontades? Perder o sentimento de existir e ser com delícia a condição de outro, com seus erros que nos convencem mais do que a perfeição."
Agustina Bessa-Luís

domingo, 9 de julho de 2017

Citação do Dia - 09 de julho de 2017

"A recordação do esforço é sempre uma boa recordação, enquanto as misérias antigas que ultrapassámos nos fazem sorrir."
Jean Guéhenno

sábado, 8 de julho de 2017

Citação do Dia - 08 de julho de 2017

"Nada se aprende das recordações; são um manjar frio que só os gulosos devoram."
Agustina Bessa-Luís

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Citação do Dia - 07 de julho de 2017

"Só há um modo de enfrentar as más lembranças: é mudar radicalmente de viver, decepar raízes e fazer as pontes desabarem."
Mia Couto

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Citação do Dia - 06 de julho de 2017

"Deixe-me dizer-lhe pela última vez que eu não tenho recordações. Ninguém guarda lembranças do que profundamente despreza."
Florbela Espanca

quarta-feira, 5 de julho de 2017

terça-feira, 4 de julho de 2017

Citação do Dia - 04 de julho de 2017

"A recordação é a esperança do avesso. Olha-se para o fundo do poço como se olhou para o alto da torre."
Gustave Flaubert

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Citação do Dia - 03 de julho de 2017

"A recordação é activa. Não é um objecto perdido que se encontrou. Ela faz crescer a massa do presente e do futuro."
Jacques Bossuet

domingo, 2 de julho de 2017

Dark-a-Thon

Começou ontem, dia 1 de julho, a Dark-a-Thon, uma maratona literária organizada pela Elsa, do canal Ordem d'Avis, e pela Filipa, do canal filipab0oks. Podem saber mais sobre esta e futuras maratonas aderindo ao grupo de Facebook da Tuga-a-Thon.


A Dark-a-Thon vai decorrer entre os dias 1 e 15 de Julho, e é composta por 6 desafios:
1 - Lê um livro cuja ação seja à volta de um serial killer
2 - Lê um livro cujo título seja assustador
3 - Lê um livro cujo personagem principal seja feminino
4 - Abre um livro de contos de terror e lê o conto da página 66!
5 - Lê um thriller/terror de um autor que ouviste falar mas nunca tiveste oportunidade de ler
6 - Escolhe um thriller ou livro de terror e lê somente à noite, antes de adormeceres...


Para os desafios 1 e 3, escolhi A Rapariga no Gelo, de Robert Bryndza, pois é protagonizado pela detective Erika Foster e parece-me que envolve um serial killer...



Para o segundo e sexto desafios, escolhi o livro "Estou a Ver-te", de Clare Mackintosh. Não é um título particularmente assustador, mas se for dito em tom baixo e sinistro...



Não vou conseguir cumprir o desafio 4, porque não tenho nenhum livro de contos de terror...


Para o desafio 5, optei por "Voo Fantasma", de Bear Grylls.



E é esta a minha TBR para esta maratona! Espero conseguir ler todos estes livros e ainda iniciar a leitura de "O Discípulo", de Hjorth & Rosenfeldt.


Sinto-me muito entusiasmada com esta maratona e estou muito curiosa com todas estes livrinhos! Muito obrigada à Elsa e à Filipa por esta iniciativa e boas leituras para todos! :)

Citação do Dia - 02 de julho de 2017

"Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te."
William Shakespeare